O meu trabalho nasce de um diálogo contínuo com o inconsciente. Entendo a pintura como um espaço de escuta que exige silêncio, presença e atenção encarnada.

Trabalho sobretudo com acrílico sobre tela, num processo espontâneo onde imagem, corpo e emoção se encontram. Intuição e matéria co-criam a obra, deixando que o ritmo da tinta revele a forma.

As obras abaixo integram uma série de treze pinturas que investigam como o corpo simbólico se manifesta através da imagem e do som. Cada pintura é acompanhada por uma composição sonora original que expande a experiência para além do visual, criando um campo sensorial e contemplativo onde o simbólico pode ser habitado e reconhecido.


  • Artista

    A arte já me salvou várias vezes da loucura. A pintar reencontro com o que foi silenciado e dou espaço para que as emoções ganhem corpo e visibilidade.

    Sou movida por uma inquietação difícil de nomear, uma curiosidade em descobrir o que cada figura me quer contar.

    A tela recebe tudo sem filtrar. Revejo-me na imagem de Edith Kramer sobre a folha como uma “mãe recetiva” — um espaço que acolhe a expressão sem julgamento. Vejo o ato de criar como um processo de sublimação, onde transformo a tensão interna em símbolo e o impulso em forma.

Habitando o Corpo Simbólico

O meu imaginário constrói-se a partir de uma cartografia do corpo simbólico, enraizada na experiência vivida do feminino.

Habitar o corpo simbólico é simultaneamente um gesto íntimo e político. É uma forma de afirmar verdade, vulnerabilidade e força num corpo historicamente moldado por expectativa e contenção. A pintura torna-se território de presença e inscrição.